segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Mensagem de BP para os pais

Não consigo carregar o vídeo, mas ficam com o link para ouvirem umas palavras que B.P. disse aos pais:

Em Inglês : http://www.youtube.com/watch?v=ZGT8_v8H2pA
Legendado: http://alcateia407-oeiras.blogspot.com/2008/11/mensagem-de-bp-aos-pais.html


Agora, umas palavras a vós, que sois pais
Nós tentamos fazer destes rapazes e raparigas
No que chamamos os 3 H's
Serem cidadãos felizes, saudáveis e prestáveis
E vão descobrir que ao enviarem os vossos filhos
Para o Movimento Escutista ou Guidista
Nós ajudamos a escola.
Eles ensinam conhecimentos
De forma a sucederem nos seus exames
E nós ensinamos o carácter
De forma a que sucedam na Vida

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Compota do que fôr

Compota do que fôr


Lavam-se e tiram-se os caroços (as cascas ficam) às frutas da época que mais baratas estão no mercado ou que mais nos apetecem e cortam-se aos bocadinhos para dentro de um tacho grande.

Junta-se um ou dois limões lavados e partidos aos quartos, uns dois ou três paus de canela e um bocadinho menos de metade do peso da fruta em açúcar amarelo.

Depois é ir mexendo, mexendo, horas a fio, com muita paciência. Lá mais para a frente apaga-se o lume e brrr com a varinha mágica. Acende-se de novo e mexe e remexe até apurar completamente.

Enchem-se frascos e agora é só barrar no pão, rechear tortas ou acasalá-lo com queijo ou requeijão.


PS: Vale misturar frutas mas, se forem frutos secos, só se juntam quando faltam breves minutos para apagar o lume.

Se a compota fôr de abóbora é preciso descascá-la ...
Gostamos de reaproveitar os frascos de grão, feijão, salsichas, etc, fazer rótulos sugestivos e colocar sobre a tampa um círculo de qualquer tecido usado, apertado com um elástico, ráfia ou uma guita colorida.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Catchupa

Catchupa

De véspera põem-se de molho em água corrente e em diferentes vasilhas o feijão congo, o feijão manteiga e o milho de catchupa.

Numa panela: coze-se o milho com uma boa fatia de abóbora;
Noutra panela: cozem-se os feijões;.
Noutra panela: cozem-se as carnes de porco, vaca e galinha.

Faz-se um refogado com cebola, alho e azeite. Adicionam-se as carnes já partidas e os chouriços às rodelas e deixa-se tomar sabor. Acrescentam-se o milho com a abóbora já desfeita, algumas cenouras cortadas e os feijões e vai cozendo em lume brando.

Corta-se couve de repolho às tiras finas e deita-se para dentro da panela, bem acompanhada de uma alheira inteira.

Rectifica-se de sal e cominhos.

Vai-se mexendo de quando em quando e vai apurando...

À parte faz-se um refogado de cebola, alho, louro e azeite que se deita na catchupa quando já está mesmo quase pronta. Mexe-se, apaga-se o lume e mantém-se a panela tapada ainda um bom bocado, até servir. Se se aguentar esperar, é claro.

Se sobrar para o dia seguinte aquece-se com refogado e serve-se com ovo estrelado.


PS: Se se estiver à pressa utilizam-se feijões de lata e, à falta de alternativa, milho enlatado.

sábado, 1 de novembro de 2008

Dia de Todos-os-Santos

Fizeram hoje 253 anos que houve o Terramoto de 1755.
Quanto a isso, não aconteceu nada até agora...


Também foi o dia do "Pão por Deus", quando todos os míudos vão pedir guloseimas à porta das pessoas, logo de manhã.


Também há quem já tenha ido, ontem à noite, ao Hallowen, também chatear pessoas, a pedir "Doçura ou Travessura".


Se as pessoas derem qualquer coisa, vamo-nos embora todos contentes, mas se disserem, como algumas pessoas dizem, que "Não são a Santa Casa da Misericórdia", levam com a travessura.

Há travessuras e travessuras, umas piores que outras, como colar a campaínha com pastilha-elástica, para ficar a tocar até alguém a tirar, pôr caracois na caixa do correio, encher o portão com papel higiénico...Tanta coisa que se pode fazer para chatear as pessoas menos simpáticas.

Hoje também foi o dia em que me despedi do Morilo, que vai viver para o Brasil...
Vai na terça-feira, fazer uma grande viagem, para ir para a fazenda onde passou a infância.

Quiche

Quiche

Junta-se farinha de trigo branca e integral, uma pitada de sal, folhas de orégãos, um fio de azeite e um pouco de água morna. Vai-se amassando até ficar uma bola, que fica numa tigela a descansar enquanto se faz o recheio.

Corta-se alho francês e cebola, junta-se um fio de azeite e vai ao lume fraco a dourar. Junta-se courgette e cogumelos às meias fatias e vai-se mexendo. Pode-se adicionar qualquer vegetal que se tenha à mão, tendo em conta que, se forem de maior dureza (cenoura, couve-flor, brócolos), convém dar uma escaldadela prévia.

Bate-se com a varinha mágica 1 pacotinho de natas, 2 ou 3 ovos, leite, coentros e uma pitada de sal.

Barra-se a forma de tarte com manteiga e polvilha-se com manteiga. Estende-se a massa na forma e deita-se o preparado dos vegetais, regando-o de seguida com a mistura liquida.

Vai ao forno aquecido até cozer.

PS: O recheio pode ser de qualquer vegetal, carne, peixe, requeijão ou aproveitamento de restos. Acompanha bem com arroz e uma salada fresca.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

A Caixinha de Música

Catarina não gostava da cara que tinha. Achava-se feia, com o seu nariz arrebitado,
a boca grande e os olhos muito pequeninos.

Na escola, as crianças não queriam brincar com ela. Preferiam outras companhias.
Corriam pelo pátio, muito alegres, fazendo jogos em que Catarina nunca conseguia
entrar.

Quando a campainha tocava, no fim das aulas, pegava na pasta de cabedal
castanho, punha-a às costas e ia sem pressa para casa, colada às paredes, com medo
das sombras, dos gracejos dos rapazes mais crescidos. Com medo de tudo que
pudesse tornar ainda mais triste a sua vida.

«Tens mesmo cara de bolacha.» - dissera-lhe, dias antes, uma rapariga da sua
turma.

Ficou muito magoada com aquelas palavras que lhe acertaram em cheio, como uma
pedrada, em pleno coração.

E lá andava ela com os seus olhos pequeninos e tristes, com os pés para o lado, a
ver se descobria alguém que conseguisse gostar dela, nem que fosse só um bocadinho.

No caminho para casa encontrava todos os dias o homem do realejo.
Era muito velho e estava sempre a sorrir. Trazia, poisado no ombro, um grande
papagaio de muitas cores que passava o tempo todo a dormitar.

Quase ninguém reparava no velho que tocava cantigas muito antigas, à esquina de
duas ruas sem sol. Era um homem solitário.

Quando fez anos, Catarina levou-lhe uma fatia de bolo de aniversário, com cerejas
cristalizadas e algumas velas em cima. O velho ficou muito comovido, guardou o bolo
dentro de um saco branco e foi-se embora, para ela não ver a sua cara enrugada cheia
de lágrimas.
Um dia, quando saiu da escola, foi procurar o seu amigo. Deixou que ele lhe
agarrasse na mão e ouviu-o dizer numa voz muito sumida:

«Vim hoje aqui com muito sacrifício só para te dizer adeus. Vou partir para muito
longe, mas gostava de te deixar uma recordação minha». Meteu a mão no bolso do
sobretudo e tirou uma pequena caixa de música.
«Esta caixinha é muito, muito velha. Nem se sabe ao certo a sua idade. Sempre que
a abrires e tiveres um desejo ele há-de realizar-se imediatamente».

Catarina ficou muito contente a olhar para a caixa e quando quis agradecer ao amigo
já não o encontrou.

Catarina levou para casa a caixinha de música e escondeu-a com muito cuidado
para ninguém a descobrir. O desejo não demorou a surgir: queria deixar de ser feia.
Pôs-se à frente do espelho, abriu a caixa e pensou no seu desejo com quanta força
tinha. Da caixinha saía uma música muito bonita. Catarina olhou para o espelho cheia
de receio de que o sonho não se tivesse tornado realidade. Mas não. Ninguém iria
acreditar quando a visse com a sua nova cara, o ar alegre e bem disposto.

A sua vida modificou-se completamente. Passou a ter amigos. Já ninguém falava da
sua cara, da sua maneira esquisita de andar.

Um dia perdeu a caixinha de música. Ao fim de uns dias, a magia começou a
desaparecer lentamente. A boca alargou, os olhos voltaram a ficar muito pequenos.
Sentiu de novo uma grande tristeza e apeteceu-lhe fugir para muito longe ou nunca
mais sair de casa.

Ao fim de algum tempo, acabou por se decidir: começou a sair à rua, a ir à escola.
E, com grande surpresa sua, os companheiros de escola, os amigos falavam-lhe
como se nada tivesse acontecido, como se a sua cara não tivesse voltado ao que era
dantes.

A tristeza desapareceu e Catarina percebeu que o importante não é a cara que as
pessoas têm mas a forma como são na vida, no mundo, como sabem ser solidárias
com os outros.
José Jorge Letria, Histórias Quase Fantásticas
Eu e o meu colega André, continuámos esta história...
Passados anos, quando Catarina era mais velha, foi passear a um jardim solitário e vazio, pois tinha tido um dos seus antigos "ataques de tristeza". Esse jardim era imundo, as árvores que antigamente eram bonitas, estavam agora secas e tristes. Não haviam flores nem animais, pois os pássaros que daí emigraram, não votaram, e os outros animais não tinham aí alimento e iam para outro sítio... Ah, e flores, quem as semeava?
Era um sítio triste, por onde passeavam pessoas tristes, olhando o lago poluído, com uma estátua toda suja no meio.
Foi aí que Catarina, enquanto passeava, teve uma surpresa boa e má: encontrou o seu velho amigo, o homem do realejo, que lhe dera a sua caixinha de música e que não via há anos, mas que, para estar ali, provavelmente estava triste.
- Olá, há quanto tempo? O que faz aqui? - perguntou Catarina.
- O mesmo que tu, se calhar... Estou triste, e ando a passear por um sítio triste, como vês. - respondeu o velho, tristemente.
- E o seu realejo, onde está? - perguntou Catarina, receando o pior.
- Estou muito pobre - disse o velho, choramingando - e... tive que o vender...
- Oh... Desculpe perguntar, mas não falamos mais nisso. - e foi a vez de Catarina chorar.
E ficou a olhar o velho, muito velho, de roupa esfarrapada e tão velha quanto ele, grande barba, e a chorar como uma fonte.
- Também não te pergunto porque estás aqui, porque deve ser uma razão tão triste como a minha... - respondeu o velho, muito velho.
E a partir daí, Catarina ia todos os dias visitar o velho, àquele jardim vazio, feio e muito triste, que era a sua nova casa.
Dinis Costa
André França
27/10/2008

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Uma aventura nos Pirenéus

Uma aventura nos Pirenéus



No verão do ano 2005 fui acampar com os escuteiros para os Pirenéus, em Espanha, durante uma semana.

Três dias antes de nós irmos, tinham ido os mais velhos para montarem o acampamento.

Durante a viagem, que demorou todo o dia, jogámos às cartas, vimos filmes, etc. Chegámos à noite e já tínhamos as tendas montadas.

No dia seguinte, percebemos que havia escuteiros espanhóis acampados nos campos ao nosso lado.

Passado três dias de lá estarmos fizemos cañones, que é um desporto que é feito num rio com rápidos onde damos saltos, escorregamos, etc. Nós demos saltos de três metros de altura e os mais velhos deram saltos de cinco metros.

No quarto dia fizemos rafting, que é descer um rio com rápidos num barco de borracha, a remos. Nós tínhamos um guia para o rafting e para os cañones.


Nesse mesmo dia houve um concurso de cozinha. A equipa do meu irmão Lopo (a Viking) ganhou a entrada, com ovos de codorniz e tâmaras e o prato principal com cachupa e a equipa Vasco da Gama ganhou a sobremesa, onde nós, os Lobitos ficámos em segundo lugar.

No dia seguinte subimos os Pirenéus. Nós subimos a 1500 metros, parámos numa cascata e voltámos, mas os mais velhos subiram a 3000 metros e ficaram lá mais dois dias.



Quando eles chegaram houve o fogo conselho, em que não acendemos fogueira porque era proibido mas, para substituir, acendemos alguns candeeiros.

Os espanhóis fizeram muitos números, mas o que eu gostei mais chamava-se “el pan que habla” (o pão que fala).

Durante o fogo conselho muita gente do nosso agrupamento vomitou, porque nós tínhamos que esperar uma hora com um remédio na água para a podermos beber, mas como alguns não esperaram esse tempo ficaram doentes.

Esse fogo conselho durou toda a noite e no dia seguinte viemos embora.

Eu gostei muito deste acampamento e gostaria de lá voltar.
Dinis Costa, 11/2005